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Legionários de Cristo - uma congregação sacerdotal jovem e entusiasta a serviço do Papa e da Igreja.
Regnum Christi - Um movimento leigo de homens e mulheres trabalhando para estender o Evangelho.
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Via uma plenitude que desejava profundamente em meu coração
Pe. Lucas Teixeira, L.C.

Era uma quarta-feira de primavera de 1992. No mês de outubro brasileiro, a natureza desperta de seu sono outonal e mostra uma exuberante beleza. Estava para sair ao trabalho com meu pai, a quem ajudava em suas empresas. Lia com interesse, confortavelmente em uma poltrona, um livro sobre o beato Pier Giorgio Frassatti, um jovem que tinha sido um grande amigo de Cristo. Foi então quando dois anjos bateram a minha porta, trazendo-me em nome de Deus, o maior presente que recebi em minha vida: a vocação legionária.

É necessário colocar um pouco de poesia em algo tão belo como é um chamado de Deus. Não deixa de me maravilhar como tudo aconteceu. Cresci em um ambiente simples. Minha família, do lado de minha mãe, é de origem italiana e com profundas raízes católicas. Meu pai sempre se desvelou por nós. Minha mãe soube nos educar nos melhores valores humanos e cristãos. Com meus irmãos o ambiente era excelente. Dávamo-nos muito bem; brigávamos e nos divertíamos, ajudávamo-nos e nos protegíamos. Creio que sempre fomos um apoio uns dos outros. Sou o mais velho de três irmãos, motivo pelo qual devia dar exemplo. Reconheço que nunca fui bom de futebol, mas também não passava o dia estudando. Gostava muito de música. Aprendi a tocar violão e logo, minha paixão, o piano. Havia um ambiente excelente entre meus amigos.

Seu testemunho marcou o início de minha inquietude vocacional

Como dizia, recebemos em casa de modo muito natural os valores cristãos. Rezávamos em família. Íamos à missa todo domingo. Ajudávamos na paróquia. Mas nada fora do normal. Bem, talvez a presença de minha avó materna que passava longos períodos conosco; ela trazia uma especial presença de Deus em casa, pois por sua saúde frágil não podia sair muito de casa e passava boa parte do dia
Pe. Lucas Brum Teixeira, L.C. Imagem sem redução da vista
rezando. No ensino médio conheci, através de uns amigos, um padre jesuíta. Ele tinha então 93 anos. Era realmente um sacerdote santo. Sim! Em seus 93 anos abrasava no amor de Deus a quem se aproximasse. Considero que seu testemunho marcou o início de minha inquietude vocacional. Transbordava paz e felicidade ainda em meio de tantas limitações físicas. Em sua vida se via uma plenitude e uma realização que desejava profundamente em meu coração.

Terminando o ensino médio, em 1992, comecei a estudar Direito. Sinceramente não me interessava muito este mundo das leis, mas em meio de minha indecisão meu pai me aconselhou a continuar. Depois de alguns meses, decidi melhor ficar só com o trabalho. Por outro lado me envolvi muito na paróquia: catequese, grupo de jovens, liturgia etc. Experimentava uma grande alegria em ajudar aos outros. Naquele mês de outubro, de fato, estávamos promovendo o rosário nas diversas comunidades. E aqui vejo claramente o que é a ação de Deus: eu ajudava uma senhora, cuja irmã pouco tempo antes havia conhecido o Pe. Arturo Díaz, L.C., em um santuário mariano que ficava a 150 km de onde eu vivia. Foi assim como o padre decidiu vir a Ijuí. Havendo tantos lugares mais importantes para conhecer no Rio Grande, por que justamente minha cidade e nesse momento? Porque Deus quis. O padre devia ser o anjo do Senhor para me entregar o presente. E assim aconteceu.

Devo reconhecer que diante do chamado fui um pouco relutante ao início. Abri o presente; fiquei maravilhado; fiquei com medo. Foi duro ceder Talvez como Jacó eu tenha lutado com o anjo do Senhor (cf. Gn 32, 24-33). Mas, ao final, felizmente, acolhi a bênção. Desde o primeiro encontro meu coração ficaria cativado por aquele ideal de sacerdócio. O estilo legionário tão alegre e entusiasta, cheio de paixão por Cristo e pela Igreja, cheio de frescor e novidade, contagiava. Sentia a luta interior entre meus planos pessoais e o plano que Deus me oferecia, entre o estilo de vida que havia sonhado e o novo estilo ao qual Deus me convidava.

Segui mantendo contato com o Pe. Arturo. Falamo-nos no Natal e ele me convidou para o curso vocacional de verão que começaria em janeiro de 1993. Não fiquei animado. Na Semana Santa me convidou para um retiro espiritual no noviciado (Curitiba). Não pude ir. Visitei Curitiba no mês de junho, durante a festa de Corpus Christi. Que impressão me deixou aquele ambiente do seminário! Ali se sentia a presença de Deus; havia disciplina e alegria; e, sobretudo, havia muitíssima caridade cristã. Tive então a oportunidade de conversar com o mestre de noviços, o Pe. Manuel Jesús Flores, que com imensa bondade e interesse escutou toda minha história e minhas inquietudes. Fiz outra visita ao seminário em setembro, e tive a graça de conhecer pela primeira vez a Nosso Padre Fundador, o Pe. Marcial Maciel. Com tudo isto, a decisão ia se cristalizando. Os meses que seguiram foram na realidade meses de amadurecimento e consolidação. Veio o fim de ano e depois de alguns dias de férias com minha família, fui ao curso vocacional de verão. Pessoalmente, sempre considerei aquele 5 de janeiro de 1994 o dia de meu ingresso na Legião de Cristo. Sentia que minha vida tinha se encaminhado a um compromisso definitivo.

Tudo é dom de Deus

Com isto descrevi em grandes traços um pouco de minha história de salvação. É verdade que em meu chamado encontro muitas semelhanças com os que lemos na Bíblia. Certamente haveria muitos detalhes mais. Detalhes do amor de Deus para comigo, um amor feito obras e gestos concretos que com apenas um pouco de fé foi possível reconhecer e interpretar. E logo responder. Ah! quase me esqueci de algo muito importante: a poucas horas de minha casa encontra-se um santuário que conserva a memória do lugar onde três sacerdotes derramaram seu sangue por Cristo, no alvorecer da evangelização no Brasil. Como não pensar que minha fé e minha vocação tiveram alguma coisa haver com a doação destes irmãos na fé?

Hoje, olhando em retrospectiva minha peregrinação de fé, realmente só tenho que agradecer. Em minha alma canto sem cessar um Magníficat como Maria, e junto a Ela, agradeço ao Pai pelas grandes coisas que fez em mim e pela grande misericórdia que teve para comigo. O caminho de minha vocação, como o de Pedro e creio que como o de todos os que decidiram seguir a Cristo teve também seus bemóis. Contudo, a imensa bondade de Jesus, Mestre e Amigo fiel, sempre me levantou e animou a seguir adiante. Tudo é seu dom. E espero e peço que o maior deles, o de sua amizade na entrega total, seja acolhido por muitos irmãos. Vale a pena. Sou imensamente feliz.

O Pe. José Lucas Brum Teixeira nasceu em Ijuí, Rio Grande do Sul, Brasil, em 17 de junho de 1974. Ingressou na Legião de Cristo em janeiro de 1994. Fez o noviciado em Curitiba e São Paulo. Realizou seus estudos humanísticos em Cheshire, Estados Unidos. Cursou filosofia e teologia no Ateneu Regina Apostolorum, em Roma. Trabalhou na pastoral juvenil no México e no Brasil. Atualmente cursa licenciatura em Ciências Bíblicas no Pontifício Instituto Bíblico de Roma.

                                                                                                                                                                                                       
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